[REVIEW OFICIAL] NVIDIA GTX 660 Ti demonstra força no seguimento intermediário (GK104)



 

Um pouco mais de quatro meses atrás, NVIDIA lançou a linha Kepler no mercado e teve uma boa recepção, os pontos altos desta geração foi a marcante performance alta e relativamente baixo consumo do modelo GTX 680, um marco em termos de eficiência por watt versus quadros por segundo do poderoso chip GK 104. Na sequência, em maio deste ano, chegou a aclamada GTX 670 também usando o GK 104 porém com 1 SMX a menos dos 8 que a GTX 680 possuía, uma placa que segue a mesma ideologia de performance por watt e se tornou uma opção melhor do que a GTX 680 devido ao preço (~100 dólares a menos) e performance. Hoje é a vez da linha intermediária a começar pelo seu expoente mais rápido, a nova GeForce GTX 660 Ti (Titanium) chega ao mercado com a expectativa de ser superior à série AMD HD 7800 já presente no mercado desde março deste ano, mercado este onde grande parte dos PCzeiros realmente focam para fazer seus upgrades devido aos preços menores.

Obviamente a AMD Radeon HD 7870/7850 reinou isolada todos estes meses por não ter concorrentes de nova geração, o que fez seus preços não serem os melhores para o consumidor final, agora com a entrada da GeForce GTX 660 Ti, poderemos esperar uma concorrência maior e finalmente melhores preços neste seguimento, só resta saber se a GeForce GTX 660 Ti consegue fazer isso, veremos.

Alguns se perguntarão o porque de usar a sigla Ti do elemento Titanium, basicamente na natureza ele forma ligas fortes e leves, sendo o metal mais forte existente, NVIDIA quer dar a mesma sensação para esta placa, apesar de estar orientada para uma seção intermediária de mercado e ter especificações menores, esta placa vai fazer os concorrentes diretos e até aqueles que não seriam tão diretos assim, sentir a força do seu poderoso chip, o mesmo da GTX 680 e GTX 670, sim, o mesmo, porém com algumas reconfigurações de ROPs, barramento de memória e texturas (vide tabela abaixo).  A GTX 660 Ti substitui o modelo GTX 560 Ti baseado na geração anterior, que não foi um chip tão brilhante assim se comparado a atual 660 Ti.

O layout físico desta placa é o mesmo do modelo GTX 670, o que dá uma grande vantagem para a NVIDIA em termos de custos e abre a imaginação dos parceiros para implementarem sistemas de refrigeração melhores como vemos nas fotos deste review.

NVIDIA quer que este modelo seja o preferencial para os jogadores que ainda tenham configurações antigas, quem usa ainda uma GeForce GTX 260 ou Radeon HD 4870 poderá esperar desempenho até 3 vezes maior hoje da GTX 660 Ti, já quem tem uma GeForce GTX 470 (como o editor do framebuffer), a melhoria de performance estaria em até 2 vezes.

A performance alvo da GTX 660 Ti é algo acima da HD 7870, esbarrando na HD 7950 em vários casos. Se você é um overclocker, verá que ela poderá exceder a performance da HD 7950 e começar a beliscar modelos como GTX 670 e HD 7970, notavelmente ela se tornará a opção de escolha definitiva, caso a concorrência não se mova.

Em termos de diferenciais tecnológicos, este modelo herdou também os mesmos da linha superior, entre eles temos o NVIDIA Vsync Adaptável, o TXAA e novas instruções de aceleração para computação paralela além de unidade dedicada para conversão de vídeo, explicamos numa próxima seção mais detalhadamente tudo isso.

Vários fabricantes parceiros da NVIDIA como ASUS, Colorful, Galaxy, Gigabyte, MSI e Zotac estão implementando soluções próprias de refrigeração, incrementando as possibilidades para estes modelos baseados na NVIDIA GTX 660 Ti,  a impressão que dá, que o modelo referência não será tão extensivamente aproveitado como os sistemas customizados que vemos nas imagens abaixo :

[smooth=id:17;]

O modelo vem municiado com 2GB de VRAM o que o deixa preparado para lidar com largas quantidades de texturas, uma tendência nos jogos mais modernos,  também se nota que o chip usado foi o GK104, uma opção teoricamente improvável  antes mas que virou realidade. Abaixo um resumo das especificações principais do modelo:

 

Estaremos dedicando um outro review exclusivo detalhando a arquitetura da placa e comparando com os modelos da linha Kepler e o curioso sistema de memória adotado neste modelo.

 

 VSync Adaptável (Adaptive Vsync)

Um dos recursos mais usados para diminuir da quantidade excessiva de quadros por segundo que um jogo produz é o VSync, ele permite que a placa de vídeo force a atualização a uma taxa contínua durante o gameplay. Funciona perfeitamente mas ele tem um sério efeito colateral quando a taxa de quadros renderizados pelo jogo eventualmente ficar abaixo da taxa de atualização do monitor, tipicamente 60 Hz. Quando isso acontecer, o sistema de sincronia do VSync irá diminuir a taxa de 60 Hz para 30 Hz, o que gera o trepidamento ou “stuttering” da imagem como normalmente chamamos. Basicamente o stuttering existirá se a sua placa de vídeo não consegue manter a taxa de quadros que o VSync primariamente se programou para rodar (60 quadros ou 30 quadros).

Uma das formas de compensar este problema é desabilitar o VSync nestes casos, porém aí entra um outro problema comum que os usuários enfrentam quando a taxa de quadros varia de forma exorbitante, a temida linha de corte ou “tear line” ou defeito “tearing”. Como não existe uma taxa de atualização homogênea e ou fixa, podem ocorrer duas atualizações na imagem ao mesmo tempo, de um quadro antigo com um quadro novo, gerando o efeito indesejado.

No vídeo abaixo, você pode ter uma ideia mais básica de como o “tearing” degrada a qualidade visual do seu jogo:

Nesta imagem  o “tearing” se inicia a partir do ponto #1 e termina no ponto #2.

Resolvendo tudo isso

O VSync Adaptável é a cura para todas estas doenças visuais da jogatina citadas anteriormente, os engenheiros da NVIDIA criaram um algorítimo que supervisiona em tempo real como anda a taxa de quadros do jogo, se ela cair abaixo de 60, o VSync é desligado automaticamente, se ela for maior que 60, o algorítimo reativa o VSync re-estabilizando a imagem e evitando problemas. Foi uma sacada simples mas que resolveu os sérios problemas que existem hoje na jogatina PC com games cada vez mais instáveis em desempenho e configurações de PCs cada vez mais “alienígenas” (ou ela é muito potente, ou muito fraca). Abaixo um slide da NVIDIA exemplificando como a taxa de quadros se mantém quando o recurso está ativado:

Este recurso é disponível na linha Fermi e também na linha Kepler da qual a NVIDIA GTX 660 Ti faz parte, estando na seguinte opção do painel de configuração da NVIDIA:

Repare que temos duas opções disponíveis para o VSync adaptativo, a primeira “Adaptável” estabiliza a 60 quadros por segundo (60 Hz configurados), preferencialmente deve ser usada se a taxa de quadros estiver variando acima de 51. Caso a taxa esteja variando entre 30 e 50, use a segunda opção, “Adaptável(metade da taxa de atualização)”.

Não use este Vsync  comum ou Adaptável se você tem problemas de performance ao rodar seu jogo, problemas como baixa quantidade de memória VRAM disponível da placa vão levar a travadas indesejadas mesmo estando em modo VSync Adaptável, nestes casos é sempre melhor desligar qualquer tipo de VSync.

A solução para o VSync tende a se tornar padrão no PC daqui para frente, eu apostaria que AMD já pode estar pensando em adicionar o recurso em seu painel, já que implementações de terceiros como o RadeonPro específico para placas Radeons já tem o recurso disponível em testes.

TXAA

Por muitos anos o Multisample Anti-Aliasing (MSAA) era o recurso mais aprimorado que se tinha para corrigir as falhas visuais ocasionadas por cantos de linhas de pixels em ângulos desfavoráveis, depois veio o MLAA e o FXAA que usam técnicas parecidas entre si mas diferentes do MSAA, elas aplicam um filtro posterior na imagem gerada para eliminação de tais falhas visuais. Todas estas soluções tem uma grande falha em comum, imagens em movimento que objetivam mostrar texturas transparentes ou grandes estruturas geométricas que replicam cantos e linhas, acabam cintilando aos olhos do espectador, o que prejudica a experiência gráfica final. Para demonstrar como isso é percebido, o vídeo abaixo feito pela equipe que desenvolveu a filtragem SMAA exemplifica bem este cintilamento ou “flickering”:

[youtuber vimeo='http://vimeo.com/iryoku/smaa']

Repare que são demonstrados no vídeo o MSAA, FXAA, MLAA, CSAA, SMAA, e os únicos que se saem bem são o SMAA e o CSAA. SMAA é uma solução que tende a ser usada pela Crytek, já que um de seus idealizadores é Thiago Sousa que trabalha na empresa, o CSAA não é prático o suficiente pois é muito pesado.

NVIDIA precisava criar uma nova técnica de anti-aliasing que tivesse a leveza do FXAA, a proximidade com a qualidade do MSAA e também como bônus aplicasse a filtragem temporal para reduzir o “flickering” nas imagens, a solução foi denominada TXAA, é uma técnica de anti-aliasing que explora o alto desempenho do Kepler no que tange as instruções de “FP16 texture”,  combinando funções dedicadas com o mesmo tipo de efeitos usados em filmes de computação gráfica.   Disponível em dois modos:

  • O TXAA 1 equivale a qualidade visual do MSAA em 8x, mas com a performance de 2x.
  • O TXAA 2 oferece qualidade de imagem superior ao MSAA 8x, mas com performance de 4x.
Devido a chamadas específicas criadas para a linha Kepler, os jogos precisam implementar a compatibilidade, não sendo possível apenas fazer uma configuração do painel de vídeo para ativar o recurso.  Atualmente o jogo que possui já compatibilidade é o mmorpg The Secret World, no futuro chega MechWarrior Online,  Eve Online, Borderlands 2, Unreal 4 Engine, BitSquid, Slant Six Games e Cry Engine.
Para demonstrar as vantagens do novo anti-aliasing da NVIDIA, a melhor opção é apresentar um vídeo que faz uma comparação lado a lado e em movimento de cenas do jogo The Secret World, lembrando que é melhor você alterar para 720p a qualidade do vídeo antes de assisti-lo:
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=nvwxT0agyWM[/youtube]

PHYSX

NVIDIA PhysX não é um recurso novo, já está compatibilizado nas placas da empresa desde a famosa série G80, mas ainda carece de mais títulos de impacto para se afirmar como a API de física definitiva do mercado.   Desta vez, NVIDIA aposta no lançamento de Borderlands 2 para dar uma maior divulgada no que esta tecnologia pode realmente se diferenciar da concorrência, o largo uso de efeitos de partículas ( simulação de objetos moles como roupas, persistência de partículas,  dinâmica de fluidos ). Abaixo um vídeo impressionante divulgado pela empresa que mostra como as partículas poderão transformar o gameplay de Borderlands 2 em algo muito mais atraente e divertido:
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=kAfzjTAhpBk[/youtube]

NVENC

A ideia de acelerar a conversão de formatos de vídeos através de Stream Processors ganhou força ao longo dos últimos anos com soluções fornecidas por MediaShow Espresso , ATI VIVO Converter e Badaboom,  o grande diferencial é usar todo o poder paralelo de processamento da GPU a favor desta tarefa de conversão, o único efeito colateral notado é um aumento do consumo elétrico da placa de vídeo pois instruções CUDA/OpenCL são ativadas para tal tarefa.

Percebendo isso, NVIDIA mudou a forma como conversões de vídeo são pensadas na plataforma Kepler,  sai o recurso dos Steam Processors e entra a unidade fixa de conversão NVENC, uma unidade menor e independente do resto da GPU, os ganhos ficaram em torno de quatro vezes maiores que as gerações anteriores onde o CUDA era empregado, com um belo bônus adicional, menor consumo da placa de vídeo.

A unidade especializada pode converter vídeos 1080p para formatos H.264 e Blu-ray em resoluções de até 4096 x 4096 com suporte MVC (Multiview Video Coding) para vídeo estereoscópico.

Não temos testes por enquanto, mas chegando a placa eles serão feitos.

Infelizmente devido à greve dos funcionários públicos a remessa contendo a placa para testes não chegou a tempo deste review, então para referência, forneceremos por enquanto os testes divulgados pela própria NVIDIA após a liberação de seu NDA.  Chegando a placa em nossas mãos, estaremos lançando outro review de performance.

GTX 660 Ti x HD 7850 x HD 7950

 SLI

Nos baseando pelos testes fornecidos pela NVIDIA, claramente a estratégia da GTX 660 Ti venceu, por uma larga vantagem sobre a linha concorrente direta baseada nas Radeons HD 7800, botando uma pressão para uma maior queda de preços desta linha da AMD.  Abaixo um gráfico cedido pela própria NVIDIA demonstrando a superioridade do modelo frente a 7870.

Indo além, ela impõe um forte ataque ao modelo de entrada da AMD no seguimento TOP de performance, a Radeon HD 7950, que ganha fôlego somente quando altas resoluções estão envolvidas, graças ao seu barramento de memória maior.  Se você pensar que a GTX 660 Ti foi pensada para uma resolução 1080p (1920×1080), ela se torna a opção de escolha hoje na faixa dos 299 dólares, sendo ainda entre 50 e até 80 dólares mais barata que a HD 7950.  Recentemente AMD liberou uma atualização de BIOS que elevava a performance da HD 7950 em 5% tentando se afastar um pouco da performance da 660 Ti , o que pode ter um impacto em termos de futuro da placa, a HD 7950 pode ter um futuro melhor devido ao seu barramento de memória maior (384-bits contra 192-bits), então cabe ao comprador decidir aqui o que realmente vai querer.

Quanto ao consumo, temos também um gráfico evidenciando que a performance de quadros por watts é bem melhor no modelo da NVIDIA, veja:

Outro ponto interessante é o multi-gpu, se nota claramente ainda uma certa fraqueza de drivers em jogos como  Just Cause 2, FarCry 2, F1 DX11 e Lost Planet 2, mas que não mancha a solução, já que na maioria dos demais testes o ganho de performance sempre está na faixa média de 80% o que é uma boa marca para estes tipos de soluções. Claramente a performance multi-gpu se torna em vários casos mais forte do que soluções como GTX 680 e HD 7970 disponíveis no mercado, porém infelizmente pode significar custar mais caro no momento.

Quanto a capacidade de overclock da NVIDIA GTX 660 Ti não temos ideia ainda, mas planejo descobrir assim que receber uma para testes.

Comparando com o passado, a GTX 660 Ti seguramente tem um desempenho mais atual do que a GTX 480 e até a GTX 580, aí quando você cruza o consumo na comparação ela se torna imbatível, sendo uma excelente escolha para quem quer substituir aquela placa antiga que tem no PC de casa por desempenho renovado e compatível com os atuais jogos do mercado sem gastar rios de dinheiro, ainda economiza uns trocos na conta de luz.  Somado aos recursos especiais como TXAA , Vsync Adaptável e PhysX,  o pacote todo vale muito a pena.  Para quem tem já uma HD 7950 ou uma 7870 overclocada não existiria motivos para troca, a não ser que determinados recursos sejam de interesse do usuário como PhysX, NVENC, AVsync e TXAA.

Assim que os correios entregarem a placa estaremos produzindo um review especial de performance, aguardem.  Não poderemos da a nota final pois como já comentei, não temos a placa final no momento.

 

 

 

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